- Oi. Ah, eu tinha que falar contigo, desculpe ligar essa
hora, te acordei? Que pena, vai ficar acordado agora.
- Não, não. Fala ai. – Respondo.
- O Eduardo me ama, só não sabe disso ainda. Por qual
motivo, sempre gostamos da pessoa que não nos quer e não damos a mínima
importância pra quem faz tudo pela gente? Quer saber, foda-se, ele não merece
esse esforço. Aliás, quem faz uma
cirurgia dessas e não conta pra namorada?
- Silvanna, tu não é namorada dele. – Retruco.
- Estraga prazeres! Eu ainda vou ser a namorada dele, tá? Eu
sei de tudo o que ele gosta; como ele gosta e, ai ele sabe que eu sou a mulher
da vida dele, só ta esperando a hora certa. Sou a namorada dele, só não ganho
beijo, abraço, nem cafuné, nem atenção exclusiva... Ah, eu me preocupo com ele.
Tá, ele nem tanto assim. Como sou idiota! Na verdade, não quero falar
nele. O Pai chegou com uma água benta aqui em casa hoje, tomei toda, decepção
amorosa é a desculpa. Amanhã não quero nem ver, o quebra telha vai estar é em
mim.
Ele me ligou a pouco, convidou pra ir no park, meio passeio
de índio, mas é com ele e afinal, eu nunca digo não, não consigo, mas dessa vez
é diferente, ele me deu um bolo, ele não me avisou da cirurgia, me magoou, fez
de tudo para tirar o sorriso do meu rosto e conseguiu. Desta vez será
diferente, pena que respondi sim.
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